O maior problema da pequena empresa

Trago nesse artigo uma questão para você refletir. Observe que algumas empresas, de ótimos profissionais, são empresas lucrativas e longevas. Esse é o melhor dos mundos para o empresário. Ele vai lucrar com aquele negócio por muitos anos. E outras empresas de profissionais também muito bons, não são longevas e lucrativas. Patinam e não conseguem sair do lugar. Falo especificamente daquelas empresas constituídas por pessoas que entendem bastante do produto ou serviço daquele negócio. São arquitetos, designers, médicos, dentistas, tatuadores, professores e tantos profissionais que abrem o seu negócio próprio justamente porque são ótimos em suas profissões.

Você sabe qual o maior problema dessas empresas? Você sabe qual o maior problema de sua empresa? Pois anote. O maior problema de sua empresa é você. O maior problema dos pequenos negócios é o dono.

Observe que há algumas competências que você desenvolve para ser um ótimo profissional, um ótimo médico, um ótimo dentista, um ótimo arquiteto, cabeleireiro etc. É preciso entender da técnica profissional, dos equipamentos envolvidos no serviço, das novas tecnologias que chegam a todo momento etc. Mas tem algumas habilidades que você precisa desenvolver para ser um ótimo empresário. Eu trago aqui algumas dessas habilidades classificadas em três grupos, que eu chamo de PAI: Planejar, Agir e Interagir.

O empresário de sucesso é alguém que planeja o seu negócio. O empresário é alguém que sabe o que quer, alguém decidido, orientado, que tem um norte, uma bússola. Essa bússola, se chama ter Meta! Meta é aquilo que tangibiliza o tamanho do desafio que você mesmo impõe para você. Eu trago um recurso para você definir uma boa meta. Escreva no papel a palavra METAS, e vamos trabalhar cada letra.

O M é de mensurável. A meta tem que ter um quantitativo. Defina quanto você pretende ter de receita neste ano, por exemplo, ou quantos clientes novos você pretende trazer para a sua carteira de clientes até o último dia do ano. Você precisa estabelecer um quantitativo para que depois saiba se alcançou ou não. O empresário de uma empresa lucrativa é orientado através de números, ele define o quanto ele quer da vida. Essa é a meta, essa é a bússola.

Depois tem o E de específico. A meta tem que ser algo específico para a sua empresa, para você, para o momento que está sendo vivido por seu negócio. Não pode ser alguma coisa copiada de outro negócio ou completamente desconectada da sua realidade.

Tem o T de tempo. Você deve estabelecer em que tempo pretende fazer a aferição para saber se alcançou aquilo a que se propôs. Resumidamente, saber se alcançou a meta ou se não alcançou a meta. Quanto mais longo for esse tempo, mais demora para você conseguir fazer essa mensuração. Quanto mais de curto prazo for esse tempo, mais rápido será para você fazer essa mensuração e fazer os ajustes necessários.

Depois do T vem o A, de Alcançável. A meta tem que ser alguma coisa alcançável, possível, factível. É preciso definir um número que seja possível de ser alcançado. A meta tem que ser algo que desafie, que seja difícil, mas tem que ser possível alcançar.

Por fim, o S de sentimento, de significativo. Então a meta tem que ser algo que te importe realmente, que toque o seu coração, que você deseje muito alcançar, algo pelo qual valha a pena se esforçar muito. A meta te coloca em outro patamar em sua carreira, sua empresa, seus negócios. Enquanto o alcançável pode dar a impressão de que a meta deve ser pequena, o significativo coloca a meta em posição mais elevada, mais alta, mais difícil de ser alcançada, sem porém deixar de ser alcançável.

Ainda sobre as habilidades do Planejar, o empresário faz planejamento do ponto de vista estratégico. Ele planeja estrategicamente, pensa em Missão da empresa, Visão de longo prazo de sua empresa, define os Valores nobres que aquela empresa vai defender em sua atuação cotidiana. O empresário planejador se posiciona bem no mercado, escolhe uma posição estratégica que promova valor para a empresa, que se traduza em receitas. É aí que o estratégico se encontra com o operacional. A visão de futuro se encontra com as atividades do dia a dia, às vezes presencialmente, às vezes no ambiente digital. Não adianta ter apenas a estratégia e isso não se refletir na prática. Portanto o empresário de uma pequena empresa de sucesso planeja operacionalmente, cuida do fluxo de caixa, do contas a pagar, contas a receber e outras atividades de planejamento operacional. Ele transita entre o estratégico e o operacional em seu negócio, sempre guiado por aquilo que ele deseja para o seu negócio no longo prazo, sem deixar de ser flexível para se adaptar às mudanças e instabilidades do mundo atual. Mas nem só de planejar vive uma empresa. É preciso agir!

No agir empresarial, ele melhora o seu produto ou serviço, busca novas técnicas, traz uma novidade, lança novos produtos e serviços de vanguarda para solucionar problemas da comunidade, busca pesquisar o cliente para saber exatamente o que ele precisa. Isso é agir no mercado. Ainda nesse contexto, o empresário se colocar em uma situação de certo risco. Ele assume correr certos riscos e por isso se destaca quando as coisas dão certo. Considera aquela máxima do futebol que diz que time que joga na retranca não ganha o jogo, ou como dizia meu pai, quem não faz gol, toma gol. O empresário vai pra frente, faz coisas novas, diferentes, se arrisca, se coloca na linha de frente. E por fim, ainda nas habilidades de ação, o empresário é obstinado. Entende que as dificuldades chegam para todas as empresas e quem não é determinado vai ficando pelo caminho. A vida dos empresários de sucesso é recheada de momentos difíceis, mas ele parece ser incansável em busca de realizar a sua visão de futuro para si mesmo e para sua empresa.

O último grupo de habilidades é o Interagir. Tem quem ache que por ser muito bom no que faz, não precisa de ninguém e que tudo vai dar certo baseado em sua capacidade técnica. Isso é uma falácia. O empresário de sucesso desenvolve network, se relaciona com muita gente, lidera equipes - ainda que a distância, interage com pessoas que podem ajudar quando chegam os obstáculos naturais do mundo empresarial. As novas tecnologias estão disponíveis e facilitam esse processo de ampliar os relacionamentos comerciais, mas também exigem competência para liderar equipes em rede e promover a construção coletiva de uma identidade empresarial.

Quanto mais você desenvolver essas habilidades citadas anteriormente, mais você passa a confiar em si mesmo, torna-se mais autoconfiante, e mais capacidade terá para convencer o outro, terá mais argumentos, inclusive para convencer o cliente a comprar o seu produto ou consumir mais do seu serviço.

Então o empresário de uma empresa LL (lucrativa e longeva), além de ser bom tecnicamente, ele é bom nesses três conjuntos de habilidades: Planejar, Agir e Interagir.

E você, o que vai fazer para desenvolver suas habilidades empresariais?

Pense nisso!
 


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Editorial, 27.AGOSTO.2020 | Postado em Geral
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